segunda-feira, 30 de maio de 2011

Saudando a Saudade

Saudade de quem vai,
de quem fica,
de quem ficou de vim,
de quem as vezes não vem mais,
ou de quem ficou pra trás

Saudade dos cheiros,
dos sabores,
dos calores,
dos sorrisos,
dos ruídos,
dos sentidos e vividos.

Saudade tão falada,
tão sentida,
tão doída,
do Drummond,
do Amado,
da Maria.

Tantos tempos

Tem pó no tempo,
Tem pé no tempo,
Tem pá no tempo.

Tem pó pra sujar,
Tem pé pra marcar,
Tem pá pra limpar.

Tem tempo marcado,
Tem marcas do tempo,
Tem tempo pequeno,
Tem tempo que é tanto tempo
E eu vivo a perguntar...
Quanto tempo é meu?
Quanto tempo desse tempo me sobra?
Por que o tempo é mudo?
Ele passa...
Eu sinto...
E as vezes não percebo.
Me perdo,
Me acho,
Mas não acho o tempo.
Quem é que tá no tempo?
No meu tempo?

Lado direito do AVESSO.



Tem muita vida aqui fora
E eu lá dentro.
Tem muito de fora aqui dentro
E eu lá fora.

Será que devo ferir a gramática
E entrar pra dentro
E sair pra fora.
Ou devo apenas...
Ser de dentro pra fora
E de fora pra dentro?!

O que me resta aqui dentro
É ver que aqui fora
É muitas vezes o refúgio de dentro.
E o dentro, as vezes, é inconsolavelmente,
O abrigo de tudo aqui fora.

O cotidiano VIVO



Tanta casa,
Tanta gente,
Tanto suor,
Tanto sol,
Tantos olhares,
Tantos sorrisos,
Tantas conversas,
Tantas histórias,
Tantas vidas entrelaçadas!

As folhas balançam,
O vento sopra,
Elas vão e vem.
Esse é movi-mento,
O mover da vida!

É tanta vida para viver!
É tanta vida no viver!
Eu vivo no cotidiano vivo!

Minha epifania

Um amor acabou
Eu me senti intensa
Eu me vi por completo,
Agora eu entendo.

Todo dia uma pequena epifania.
Todo dia uma nova pessoa.
Todo dia uma MUN (DANÇA),
Uma dança no mundo,
Um mundo na dança.

Eu vi- vendo
E vendo vi.
Vi a palavra,
Vi a imagem,
Vi você,
Vi o outro,
Me vi,
Me vi no outro
e nele me reconheci.

E assim fui sentindo,
Fui percebendo,
Fui me fazendo,
Fui construindo
Ou des(construindo)...
na epifania da vida!

Faltando no tempo



O tempo diz: é hora de...
E eu respondo ao tempo: PRE-SENTE!
Os ponteiros acusam.
Um, dois, três...faltam dez para...
Falta cinco, doze e cinco.

Sobra tempo?
Falta TEMPO.
Será mesmo que nos falta tempo?
O tempo sempre falta,
Eu posso faltar no tempo?
A chamada do tempo  identifica,
Aponta ponteiro.
Desaponto o ponteiro e falto.

Perdo tempo sim...
Só não posso é ser controlada pelo tempo e perder tempo
buscando tempo.
Quem disse que perder tempo é desencontrar do tempo?
Perder tempo é se encontrar com esse tempo buscado.
Esse tempo é o PRESENTE!

EU QUERO AR



Fal(AR) e Chor(AR)
Sufoc(AR) e Desab(AR)
Tent(AR) ...
Procur(AR) o (AR)
e achar só o Am(AR).

Por que o resto é só (IR),
Fing(IR) pra  Permit(IR)
Ment(IR) pra Omit(IR),
E eu queria a---pena---s ...
SO------------MENTE
Ouv(IR), Sent(IR)
e (IR).

Estranhamento



Conhecer desconhecendo.
Olhar e não reconhecer.
Gostar e não sentir.
Sentir e não saber.
Saber e não querer.
Dizer e não falar.
Falar e não pensar.
Pensar e não ter guardado algo que aparece
E se esconde...
Algo que mexe!
Algo que simplesmente...
Existe!

ENCONTRANDO SENTIDOS



Encontro o sentido dos sentidos.
Sinto sent(indo).
(Di)versos são os sentidos de algo sentido.
As vezes sem ter SEM-tido,
Eu dou um novo sentido e me encontro.

Encontro-me com os signi (ficado)s
sentindo o presente, Vi-vendo!
Experimentando as versões de sentido,
dando uma nova versão nos versos
sentidos,
eu vou simplesmente sentindo.

O outro deu sentido ao meu sentido.
E eu (re) signifiquei o meu sentido,
quando fez sentido para o outro.
Versar versões, versejar versos,
esse é o sentido vivo da vida!

Certeza incerta



Dormir com uma certeza
E acordar sem ela.
Ela te trai com um sonho!
Um sonho.
Apenas um sonho bom!

E a verdade?
Real-idade?!
Traidora também!
O que fazer para essa certeza não trair?
Eu não gosto dela.
Eu não gosto de gostar dela.

A falta,
O desejo,
o/no sonho
o querer...
querer, desejar constantemente.

Esse desejo é o culpado,]
Eu não tenho culpa,
Isso me acalenta.
E eu vou continuando...
Minha vidinha de certezas e incertezas...
Confundem-se e me coN-fundem!

Busc(ANDO)



Estamos sempre na busca!
Na busca do amor,
Na busca do perdido,
Na busca do ideal,
Na busca do buscar.

Buscar pela insatisfação,
Buscar pelo prazer,
Buscar pela inquietação,
Buscar o novo, o desconhecido
Buscar sem sentido,
Buscar no sentido...
o verdadeiro sentido da existência!

Boas vindas ao adeus

 


Dói ter que pensar no fim.
Um fim que é um grande começo
E o começo que precisou de um fim.

O início da finitude.
O fim do ideal sem fim.
Permanecer, acontecer e não esquecer...
Que talvez o início de tudo
Pode ser o aviso do final.

Como conviver com algo tão bom
Que vai chegar ao fim?
Como fazer do início do fim
Um grande (re) começo?
Talvez começar pensando no fim
E finalizar pensando no começo...
Talvez...
Talvez...

Temos que conviver com as certezas e incertezas
Dos inícios e dos fins!
                                                Isso é (re) significar a EX-istência!

A RÉ do reflexo


 Dó-ré
Dor-é
Dor-e-mi
Dor-em-i
Dó-ré-mi-fá
Doi em mim falar!

(RE) flete,
(RE)flexo,
(Re) sposta,
(RE) corda,
(RE) monta,
(RE) mete,
(RE)duz,
(RE)tifica,
(RE) conhece,
(RE)significa.

RE-flexo da imagem,
Vai e volta,
Re-volta.
Vejo..
Me vejo, estranha e íntima!


domingo, 29 de maio de 2011

Tempo Invertido




Quando a gente é criança perguntam: o que você vai ser quando crescer???
E quando a gente é adulto perguntam, futricam, investigam e exigem saber :  quem foi quando criança?
E alguém pergunta como você está agora? Aqui? Neste exato momento?
As pessoas gostam de inverter! 
E se importam com o hoje comparando com o ontem e prevendo o amanhã.
Elas querem saber do amanhã e do ontem.
E do hoje, quando elas querem saber???
Talvez amanhã...
Ou depois de amanhã...